Biometria, Fraudes em Seguros

Biometria em Seguros: Eficiência e Combate à Fraude

Biometria em Seguros: Eficiência e Combate à Fraude

O mercado de seguros enfrenta prejuízos bilionários anualmente devido a ações criminosas bem estruturadas. Segundo dados do Sistema de Quantificação de Fraudes (SQF) da CNseg, os sinistros suspeitos chegam a representar cerca de 15% do total registrado no país. Para mitigar esse cenário, a tecnologia de identificação surge como a principal barreira de contenção, transformando a segurança digital e física das operadoras.

Os Gargalos do Setor: Onde Estão as Fraudes?

Os golpes contra as seguradoras acontecem em diferentes frentes, desde a contratação da apólice até o momento do resgate do benefício.

1.Falsidade Ideológica no Onboarding

A porta de entrada de quadrilhas especializadas se dá pela falsificação de documentos. O fraudador assume a identidade de terceiros para contratar apólices de automóveis ou ramos elementares com históricos mais favoráveis, planejando um sinistro forjado no futuro.

2.Golpe do Seguro de Vida (Falsificação de Óbito)

Simular o falecimento de um segurado legítimo para sacar indenizações milionárias é uma prática recorrente. Quadrilhas costumam falsificar laudos e certidões de óbito, muitas vezes envolvendo laranjas que nem sabem que tiveram apólices emitidas em seus nomes.

3.Empréstimo de Carteirinha na Saúde Suplementar

No seguro saúde, o compartilhamento de credenciais com pessoas não cobertas pelo plano gera um rombo gigantesco. Estudos do IESS apontam que as fraudes e desperdícios consomem mais de 12% das receitas das operadoras, impulsionados também por clínicas falsas que geram consultas “fantasmas”.

Como a Biometria Revoluciona a Segurança nas Seguradoras

Para frear o avanço desses crimes, as empresas estão adotando a verificação biométrica como padrão essencial de validação de dados e segurança da informação.

Na fase de onboarding digital, a biometria atua cruzando o rosto ou as impressões digitais do proponente com bancos de dados oficiais do governo. Esse processo reduz drasticamente o roubo de identidade. Se o cliente faz a contratação por canais remotos, o uso do biometria facial ou com impressões digitais com algoritmos de Liveness Detection (prova de vida) impede que fotos ou vídeos estáticos (deepfakes) enganem o sistema.

Para a proteção, a biometria com impressões digitais continua sendo uma das opções mais eficientes e maduras do mercado. Ao exigir a leitura dactiloscópica do segurado em aplicativos, totens de hospitais, clínicas parceiras ou na retirada de veículos em sinistros de automóveis, a seguradora elimina por completo o “empréstimo de carteirinhas” e assegura que apenas o real beneficiário usufrua do serviço contratado.

Além disso, nos segmentos de previdência e seguro de vida, a prova de vida digital por reconhecimento facial ou por biometria com impressões digitais em aplicativos mobile substitui a necessidade de comparecimento cartorial, automatizando o processo de auditoria e evitando pagamentos indevidos após o falecimento real do indivíduo.

Ao integrar soluções modernas de autenticação — combinando a portabilidade do reconhecimento facial com a robustez tradicional das impressões digitais —, o ecossistema de seguros não apenas blinda suas operações contra prejuízos severos, mas também simplifica a experiência do usuário, tornando os processos de conformidade mais rápidos, transparentes e, acima de tudo, invioláveis.

Reconhecimento como Prova na Justiça Facial X Digital

No âmbito jurídico brasileiro, embora ambas as tecnologias sejam aceitas, a biometria por impressões digitais possui maior força probatória que o reconhecimento facial. Respaldada por mais de um século de consolidação científica (dactiloscopia), a impressão digital é considerada uma prova pericial praticamente incontestável nos tribunais. Por outro lado, o reconhecimento facial, embora altamente conveniente para o ambiente digital, enfrenta maior ceticismo e restrições na Justiça devido a vulnerabilidades como fraudes por deepfakes, o risco de spoofing (uso de fotos/vídeos de terceiros) e potenciais vieses algorítmicos. Dessa forma, para evitar contestações judiciais com base no Código de Defesa do Consumidor, o mercado de seguros recorre à robustez da biometria dactiloscópica ou a tecnologias avançadas de prova de vida (liveness) para garantir a segurança jurídica em transações de alto valor.

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